segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Bailarina de Vermelho é ovacionada em Araraquara


A Bailarina de Vermelho esteve no último dia 17 de maio em Araraquara , no estado de São Paulo , Brasil, convidada de honra na abertura do evento Virada Cultural Paulista 2008 onde ministrou a aula inaugural - um clássico entre as aulas inaugurais - “o enigma vazio”, arrebatando por completo a platéia araraquarense.



A coletiva de imprensa teve que ser cancelada de última hora, a musa de Dégas sentiu-se mal com o jetlag em função da longa viagem de van, inconformada a mídia local lançou mão de retaliações, embora a Bailarina tenha sido destaque nas folhas, seu espaço foi deliberadamente partilhado com outras atrações do evento.



- "Eu não ligo, quem tem um Oscar na dispensa, e um Nobel como peso de papel no escritório de Capri jamais se importaria com isso, eu já fui comunista você se esquece? Eu estava lá, em Leningrado. Acho importante dar espaço a quem está começando. Se todo o meu clipping fosse reunido não caberia em Versailles. O que importa são os fãs, quero mandar um beijão pra minha recepção de Araraquara. Amuá!"


A Bailarina ficou hospedada na própria prefeitura, que passou por uma série de reformas para acomodar sua entourage. O prefeito ofereceu um banquete em sua homenagem. Estavam presentes além do prefeito Edson Antonio Edinho da Silva, o ator, diretor, produtor, agitador cultural e gestor de projetos da Secretaria da Cultura de Araraquara Jorge Okada, a atriz, produtora e programadora de eventos do MIS Danielle Aquino , e o escritor Ignácio de Loyola Brandão, entre outras personalidades araraquarenses e artistas da Virada, como Fernanda Takai, Arnaldo Antunes e Zé do Caixão. No menu destacava-se o frango à Kiev, uma homenagem do chef José Hugo Celidônio às raízes russas da fundadora da Escola de Frankfurt, e outros pratos de sua preferência:

estrogonofe, coquetel de camarão, paillard com fettucine , arroz a piemontese, postas de hadoque dessalgadas no leite e servidas com alcaparras, arroz de frango, vol-au-vent e steak tartare. De sobremesa crepe Suzette, pêra ao vinho, bolo de abacaxi, uva caramelada e churros.


- “Aprovadíssimo o buffet, adoro a cozinha 50’s, só senti falta de escargôs, mas o frango à passarinho estava impecável. Eu nunca tive problemas com a balança, pelo contrário, quase fiz Gilda, mas eu era muito magra para os padrões hollywoodianos da época, fui miss Paquetá três vezes e, by the way, sou a eterna Garota Campari, né, coração.”


A aula inaugural abarrotou os 1750 lugares do teatro Wallace, há divergência sobre o número de fãs que teriam retornado para casa sem poder assistir à Bailarina, dados da polícia militar falam em 1300 pessoas, segundo a produção do evento 3500 pessoas teriam voltado da porta do teatro.

Dicas da Bailarina em Araraquara: comprinhas de 1, 99 na rua São Bento e as calçadas modernistas diante do Casa de Cultura Luiz Antonio Martinez Corrêa.


Não Perca!
Próximo lançamento: Ar de Araraquara.

terça-feira, 22 de abril de 2008

novos depoimentos velhos amigos








- Foi muito difícil pra mim, nós nos conhecemos há muito tempo, desde a época em que a Bailarina morava no Louvre, naquela ocasião, nós nos estranhamos um pouco, porém nos tornamos grandes amigas, eu já tinha uma posição de destaque no museu, e a Bailarina não aceitava isso, sua ala era uma ala mais afastada, e por conta disso ela encabeçou uma série de movimentos insurretos em nome do que para ela seria o correto na ocasião, depois de seu desaparecimento na América Latina, se não me engano em São Paulo na década de 70, eu nunca mais a vi. Mas até hoje, eu devo confessar, são muitos os turistas que vêm ao Louvre especialmente atrás dela. Ela sempre teve muitos fãs.

MONA
LISA


- Quando o Foucault esteve no Brasil na década de 70, ainda em plena ditadura, eu ofereci um jantar para ele na minha casa, eu e minha esposa, e embora toda a intelectualidade carioca estivesse em polvorosa com a visita desse grande pensador, não sei por que razão, ninguém foi nesse jantar, mas o Foucault foi, e ele estava acompanhado dessa figura maravilhosa a Bailarina de Vermelho. Foi uma noite espetacular, onde a Bailarina nos encantou a todos com suas idéias audaciosas, seu brilho e ímpeto inigualáveis, ela cantou algumas árias de Verdi, dançou um pas-de-deux sozinha e contou histórias de amigos considerados loucos presos injustamente no século XIX. Eu não tenho dúvida que Foucault bebeu e muito nessa noite, digo das idéias da Bailarina para desenvolver a sua História da Loucura, mas Ela sempre foi muito generosa, tinha tantas idéias, essa era apenas mais uma, um presente para Foucault, o que garantiu na verdade a sua carreira, um pequeno gesto para uma grande dama. Meu próximo livro eu dedico à Ela.

AFFONSO ROMANO DE SANT ANNA



- Quando nos conhecemos, eu a vi tomando sol nua aos pés da torre Eiffel e não resisti, de pronto fiz-lhe o convite, imagina eu, na época um pintor iniciante, e Ela uma diva estabelecida, mas não sei , acho que fiquei hipnotizado, “quer ser minha modelo? Você posaria para mim?” . Ela respondeu com aquele sorriso largo, de quem sabe que já venceu e tem tempo a perder. De lá fomos direto para o meu studio em Montmartre, eu tinha 16 anos, e na mesma tarde nos tornamos amantes. Eu devo toda a minha obra e carreira à Ela. Não há uma só figura feminina em meu trabalho que não seja inspirada na Bailarina de Vermelho.

EDGAR DÉGAS




- O Urinol foi uma sugestão Dela. Estávamos num bar perto de Sant Germain de Prés, o único aberto àquela hora, a Bailarina havia me contado de como as pessoas urinavam pelas ruas durante os folguedos populares no carnaval carioca, dái ela falou brincando “Marcel- Ela me chamava de Marcel – bota no museu Marcel, bota no Museu. Não é amanhã os Independents?”, se referindo ao Salão dos Independentes que abriria no dia seguinte. Aproveitamos um momento de distração da dona do bar, e saqueamos seu toillete. No dia seguinte o Urinol entrou para a história. O pior é que eles levaram a sério. A Bailarina de Vermelho é a grande responsável por tudo isso na verdade, uma grande mulher...inesquecível...”

MARCEL DUCHAMP


- La Bohéme é a música da nossa juventude. Naquela época a Bailarina havia recusado uma grande fortuna que recebera como herança de um velho fã na Escócia, e optamos deliberadamente por uma vida simples e boêmia. Nós só comíamos um dia a cada dois, mas era a glória, ela era insaciável, nem dava tempo de pensar em comida, digo, literalmente, nós amávamos a vida, quer dizer Ela sempre amou, eu é que sofria um pouco de depressão, mas naquela época ainda não sabíamos que isso existia, a gente vivia do ar do tempo, quando voltei lá anos depois Montmartre pareceu-me triste, os lilases haviam desaparecido, nós éramos jovens, e loucos, sem Ela nada mais faz sentido.

CHARLES AZNAVOUR


terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Bailarina de Vermelho e Ciro Gomes na terça–feira gorda


A Bailarina de Vermelho, patrimônio histórico do carnaval de Veneza, entregou-se à folia tropicana. “Esse ano venho de coelhinha”, publicaram sites de fofoca dias antes. E não deu outra, a Bailarina e o deputado Ciro Gomes, que a cironeou, ops, ciceroneou em seu primeiro festejo brasileiro, pularam (“é assim que vocês falam, não é? “ pergunta rindo) juntos o carnaval de rua do Rio de Janeiro, o bloco escolhido pelo deputado e ex-ministro foi o assim chamado “Último Gole”, reduto da bohéme local.

E não faltaram celebridades desesperadas por fotos ao lado da maior diva rubra de todos os tempos. Em poucos minutos a Bailarina já havia sido fotografada ao lado da dupla evangélica sertaneja “Giselle é Michelle e Batista é Batista”;

da atriz pornô Fernanda Félix;

da atriz e fênix Ísis de Oliveira;











do ator de malhação e ex-fundador de Roma, Remo Arantes Neto, atualmente em evidência na mídia, envolvido com escândalos, prostitutas, proxenetas e arbustos na zona oeste carioca;

do cantor e mártir imortal da Mangueira, Cartola (no caso, de chapéu)

e da gloriosa estilista Luiza Marcier, que acaba de vender seu nome para uma holding internacional.
- Há muita controvérsia sobre isso, teria declarado a estilista que estava no bloco à procura de inspiração para um novo nome próprio.

Vossa excelência, o deputado, ex-ministro, ex-governador, e ex-prefeito respeitando a tradição carnavalizante não se colocou em posição moral superior e caiu na folia literalmente, a Bailarina aproveitando uma brecha entre alalaôs e serpentinas não se conteve e emplacou:
- Afinal Ciro, fala pra gente, a candidatura à Presidência da República em 2010 sai ou não sai?
- Não falo da minha vida pessoal.
- Sei...você diz “falo” do verbo “falar”?


Nesse momento foram interrompidos por uma tela monocromática ávida por beijar a Bailarina.
- Elas me devem a vida, se eu não tivesse criado o Museu do Monocromatismo de Londres nos anos 70, essas telas hoje estariam em baixo da ponte.



mais fotos da Bailarina no carnaval do Rio ver http://www.flickr.com/photos/alessandracolasanti/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

a bailarina entrevista che guevara

buenos aires 31 de dezembro de 2007





















domingo, 30 de dezembro de 2007

já havia lido todos os livros do brasil, única salvação : ir a buenos aires

estava nas últimas páginas do último livro brasileiro que me restava ler.


















o jeito: pegar um avião para a capital européia mais próxima.

















para além da carne, buenos aires sempre fora conhecida por suas livrarias.

















o fim do ano se aproximava, era minha última chance, de encontrar algum livro publicado que ainda não tivesse lido .
















os ventos pareciam favoráveis, pois logo no embarque encontrei os dois maiores escritores brasileiros vivos de todos os tempos.
























zelia gatai





















e jorge amado
























era um sinal, só podia ser...


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Bailarina entrevista Pão de Açucar (o original)

Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2007

Depois de ter conhecido o Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açucar de São Paulo, de volta ao Rio, achei que seria uma boa ocasião para bater um papinho com o Pão de Açucar, lui même, sobre alguns aspectos da diluição de todas as fronteiras.








Bailarina
- O que o senhor acha do Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açucar de São Paulo?

Pão de Açucar
- Bom, antes de mais nada gostaria de dizer que é uma honra estar aqui ao seu lado.




Bailarina
- Imagina coração...

Pão de Açucar
-Bom, isso posto, evidentemente que eu não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente...

Bailarina
- Como tomou conhecimento do Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açucar de São Paulo?

Pão de Açucar
-Pela internet, através do seu blog para ser sincero.

Bailarina
- rsrsrs ai que amor.

Pão de Açucar
-Sério , eu gosto muito do seu trabalho, acho importante.

Bailarina
- De fato, mas me fala de você.


Pão de Açucar
-Ah, eu levo uma vida muito tradicional...

Bailarina
- Avant garde ou Ava Gardner?

Pão de Açucar
- ahh, Ava Gardner, ela era muito simpática, sua vinda ao Brasil em 1954 foi cercada de polêmica, dizem que ela quebrou todo o quarto no Glória, antes de ir para o Copa, a nossa foto no pratinho correu o mundo, o National Enquirer, imagina, na época sugeriu que nós estivéssemos tendo um caso, foi difícil pro Frank*, depois eles acabaram se separando, mas nunca houve nada entre nós.

















Bailarina
- O que você está achando da arte contemporânea?

Pão de Açucar
-Ah menina, depois da era glacial, do desaparecimento dos dinossauros, grandes companheiros, e do advento da eletricidade que me afetou diretamente, é difícil esse tipo de coisa me chamar a atenção.



* Frank Sinatra





terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Bailarina vai ao Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar

São Paulo, 23 de novembro de 2007


“Nesses vertiginosos e frívolos anos do começo do século nada melhor que ir a São Paulo para desanuviar.”



“Estive em São Paulo no último final de semana a convite da pintora, pianista e prestidigitadora Bruna Beber. La Beber, escritora, poeta e feminista, que mora na Avenida Brigadeiro Luis Antonio com a Rua dos Bombeiros num simpático ateliê-coberturinha, centro e paradigma da bohème local, possui uma considerável coleção de arte pré-contemporânea e um apreciável círculo de amigos, como Picasso, Matisse, Georges Braque, Apollinaire, Picabia, Ezra Pound, James Joyce, isso apenas para citar alguns. Além desses La Beber (que acaba de vender parte de sua obra para o Museu Real de Potsdam) tinha uns amigos estranhos ingleses, franceses e peruanos.
Onde andará Petrucio Felker? Era o que todos se perguntavam.”




“Naquela manhã do dia 23 de novembro de 1907 estávamos todos muito descontentes com os rumos que a arte estava tomando. Enquanto La Beber tomava aulas de aquarela em seu orquidário, a atriz, gravurista e marxista pornô Fernanda Felix, que por ali passava a caminho de Santos, me convidou para um passeio. O programa incluiu deslocamento por meios populares de transporte (ônibus, metro e footing), e performances públicas de palhaços em ônibus. O clima era de muita efervescência, São Paulo transpirava arte naqueles dias . “Que sui generis Fernanda!”, comentei extasiada diante da inovação estética da linha 184, enquanto descíamos a Brigadeiro.”

“O passeio culminou com a visita ao Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar (ao que tudo indica uma provocação aos artistas cariocas ). Lá estavam expostas as obras vermelhas de Guillermo Vargas Habacuc, “Alfombra Roja: 300 kilos de tomates”, que consiste em 300 kilos de tomates distribuídos com precisão pelo chão, e a instalação “Ainda Viva” de Laura Vinci (a artista comprou 7 mil maças, distribui-as sobre uma superfície de mármore, e pediu a um amigo que atirasse com uma pistola 9mm contra a parede ). A obra de Vinci tem sido suporte de muita polêmica no rastro da bienal do vazio, “ A maça tem algo sanguíneo e ao apodrecer a cor vermelha vai virar só uma borra”, sentenciou serena a artista... não posso negar que na época fiquei bastante bouleversada com tudo aquilo..imagina, eu, uma ex-maça de Cézanne...”



“No Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar fomos recebidas gentilmente pelo diretor, curador e cunhador do conceito “ArteFruti”, Luciano Trigo, “fiquei na dúvida na época da elaboração do projeto o que seria melhor, se ArteHortiFruti, ou ArteFruti, acabei ficando com a segunda opção”, explicou. Destacaria ainda o yogurtwall da artista oclusa Yogo Ono, e a estimulante obra intitulada “nanica 1,50”, uma reapropriação crítica da arte povera, que consiste em 500 dúzias de bananas empilhadas sobre uma mesa de madeira com pés de 6X6X15 cm, do quase-prefeito e artista carioca Macaco Tião, hoje um dos artistas brasileiros mais atuantes no circuito internacional de arte, são obras que merecem atenção, assim como a excelente idéia de Trigo (também antropólogo, sociólogo e roteirista) de transformar os guichês de compra de ingressos em simulacros de baias de supermercado.”





















“À noite La Beber – engraçadíssima e sempre controversa - nos levaria para conhecer a praça Rooseveld, um misto de Montmartre e Moulin Rouge paulistanos.”

domingo, 2 de dezembro de 2007

a Bailarina vai a Santos com espetáculo tempo.Depois






















Santos, 24 de novembro de 2007




"Depois de uma noite na praça Rooseveld, o Cabaret Voltaire paulistano, onde conheci alguns dos mais significativos artistas da sena (ops, força do hábito, saudades de Paris), digo, cena contemporânea latino americana; depois de acalorados debates sobre a bienal do vazio vindoura (ou não), chegamos a Santos, maior porto ao sul do Equador, onde a la Cia de Teatro apresentaria o espetáculo tempo.Depois. ", rememora a Bailarina abalada pelo jet lag e declara, "esses jovens são muito criativos", referindo-se ao ator e autor Rodrigo Nogueira, a atriz e cineasta Fernanda Felix e ao coreógrafo, cool e coach Michel Blois.


A Bailarina num híbrido de ímpeto estético performativo e impulso curioso investigativo não se conteve e invadiu a cena em busca de pistas. Denúncias anônimas teriam dado conta de que em Santos estaria um importante elo do enigma. Como cabe a todo enigma não-linear , fragmentado e inconcluso que se preze, o elo, tal um significante deslizante, não foi encontrado.


sesc santos