terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Bailarina vai ao Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar

São Paulo, 23 de novembro de 2007


“Nesses vertiginosos e frívolos anos do começo do século nada melhor que ir a São Paulo para desanuviar.”



“Estive em São Paulo no último final de semana a convite da pintora, pianista e prestidigitadora Bruna Beber. La Beber, escritora, poeta e feminista, que mora na Avenida Brigadeiro Luis Antonio com a Rua dos Bombeiros num simpático ateliê-coberturinha, centro e paradigma da bohème local, possui uma considerável coleção de arte pré-contemporânea e um apreciável círculo de amigos, como Picasso, Matisse, Georges Braque, Apollinaire, Picabia, Ezra Pound, James Joyce, isso apenas para citar alguns. Além desses La Beber (que acaba de vender parte de sua obra para o Museu Real de Potsdam) tinha uns amigos estranhos ingleses, franceses e peruanos.
Onde andará Petrucio Felker? Era o que todos se perguntavam.”




“Naquela manhã do dia 23 de novembro de 1907 estávamos todos muito descontentes com os rumos que a arte estava tomando. Enquanto La Beber tomava aulas de aquarela em seu orquidário, a atriz, gravurista e marxista pornô Fernanda Felix, que por ali passava a caminho de Santos, me convidou para um passeio. O programa incluiu deslocamento por meios populares de transporte (ônibus, metro e footing), e performances públicas de palhaços em ônibus. O clima era de muita efervescência, São Paulo transpirava arte naqueles dias . “Que sui generis Fernanda!”, comentei extasiada diante da inovação estética da linha 184, enquanto descíamos a Brigadeiro.”

“O passeio culminou com a visita ao Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar (ao que tudo indica uma provocação aos artistas cariocas ). Lá estavam expostas as obras vermelhas de Guillermo Vargas Habacuc, “Alfombra Roja: 300 kilos de tomates”, que consiste em 300 kilos de tomates distribuídos com precisão pelo chão, e a instalação “Ainda Viva” de Laura Vinci (a artista comprou 7 mil maças, distribui-as sobre uma superfície de mármore, e pediu a um amigo que atirasse com uma pistola 9mm contra a parede ). A obra de Vinci tem sido suporte de muita polêmica no rastro da bienal do vazio, “ A maça tem algo sanguíneo e ao apodrecer a cor vermelha vai virar só uma borra”, sentenciou serena a artista... não posso negar que na época fiquei bastante bouleversada com tudo aquilo..imagina, eu, uma ex-maça de Cézanne...”



“No Museu Internacional de ArteFruti Pão de Açúcar fomos recebidas gentilmente pelo diretor, curador e cunhador do conceito “ArteFruti”, Luciano Trigo, “fiquei na dúvida na época da elaboração do projeto o que seria melhor, se ArteHortiFruti, ou ArteFruti, acabei ficando com a segunda opção”, explicou. Destacaria ainda o yogurtwall da artista oclusa Yogo Ono, e a estimulante obra intitulada “nanica 1,50”, uma reapropriação crítica da arte povera, que consiste em 500 dúzias de bananas empilhadas sobre uma mesa de madeira com pés de 6X6X15 cm, do quase-prefeito e artista carioca Macaco Tião, hoje um dos artistas brasileiros mais atuantes no circuito internacional de arte, são obras que merecem atenção, assim como a excelente idéia de Trigo (também antropólogo, sociólogo e roteirista) de transformar os guichês de compra de ingressos em simulacros de baias de supermercado.”





















“À noite La Beber – engraçadíssima e sempre controversa - nos levaria para conhecer a praça Rooseveld, um misto de Montmartre e Moulin Rouge paulistanos.”

Um comentário:

bruna disse...

muita oncinha

http://www.flickr.com/photos/12107375@N08/1220366804/